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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A mesma imprensa que apóia a ocupação do Morro do Alemão ataca com ferocidade a ação da Cracolândia. O nome disso? Partidarismo!

REINALDO AZEVEDO
09/01/2012 às 15:36


Parte considerável da imprensa de São Paulo decidiu se opor à operação da Prefeitura e do Estado na Cracolândia. A oposição mais agressiva está nas sublinhas — às vezes, nem tanto… — das reportagens do Estadão. Mas não só. A ação é caracterizada como atrapalhada, autoritária, violenta, desumana. É evidente que editores, repórteres e quem quer que responda pelo que sai publicado diriam que a situação não pode continuar como está — “é preciso fazer alguma coisa”. Mas o quê? Nessa hora, é um alívio ser um “jornalista crítico e isento”: melhor ter a prerrogativa de atacar as ações do poder público do que a responsabilidade da decisão.
As ONGs e os padrecos de passeata que, nos últimos 10 anos, têm impedido qualquer ação mais efetiva de combate ao crack, estão pautando, como dizem alguns, o “olhar” dos jornalistas. Quando o assunto é droga, na melhor das hipóteses, esse “olhar” foi seqüestrado pelo que chamo “poesia da crueldade”; na pior, e é a mais freqüente, estamos lidando é com partidarismo mesmo: o que quer que se faça nessa área sem o apoio das entidades abrigadas pelo guarda-chuva do petismo será sempre considerado um erro.
Critiquei nesta madrugada as opiniões do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira. Em artigo no Estadão, atacou o que chama de “política repressiva”. No lugar, diz ele, é preciso haver uma “política preventiva|”. Basta olhar para a degradação moral, ética, urbana, familiar, humana (escolham aí o critério) vigente na Cracolândia para se constatar que, no caso, não há mais “prevenção” possível. Não ali. A repressão ao crime, é uma questão de lógica elementar, também é uma forma de prevenção.
Setores da imprensa insistem, por exemplo, em chamar a operação de “dor e sofrimento”, nome que nunca teve. Quem recorreu a essas palavras foi o coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira. Afirmou literalmente: “A falta de droga e a dificuldade de fixação vão fazer com que as pessoas busquem o tratamento. Como é que você consegue fazer o usuário se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Dor e sofrimento fazem a pessoa pedir ajuda”. É um ponto de vista que está longe de ser a estupidez que se imagina. Enquanto o usuário de droga tem à sua disposição o prazer que mata, ele caminha para a morte. E ponto! Em larga medida, é, sim, uma escolha individual. A questão é saber quanta “dor e sofrimento” o seu prazer suicida pode provocar a terceiros. No caso da Cracolândia, traficantes e viciados privatizaram uma área da cidade, que tem de ser devolvida aos paulistanos.
Em muitos aspectos, a Cracolândia é um “morro ocupado” na região central de São Paulo. Também por ali, a exemplo do que acontece nas regiões do Rio governadas pelo tráfico, trabalhadores, cidadãos comuns, mulheres, homens e crianças do povo vivem sob o cerco do crime. Mas vejam que curioso: enquanto a imprensa carioca, em uníssono, apóia as ações da polícia (com um entusiasmo que avança para a colaboração), a paulistana desce o sarrafo no poder público. No Alemão ou na Cracolândia, a retomada da área não constitui uma ação de prevenção ao uso de drogas; lá e aqui, trata-se de uma operação de retomada de território. Nem mesmo se pretende, em ambos os casos, “zerar” o tráfico e o consumo de drogas — nas favelas onde se instalaram as UPPs, por exemplo, admite o próprio José Mariano Beltrame, o tráfico continua.
E por que, então, todo esse alarido de suposto apelo humanista em São Paulo, contrário à ação da Polícia, tanto quanto o mesmo humanismo estridente apóia de forma acrítica a ação das forças de segurança do Rio? Não que os dois estados, diga-se, vivam situações semelhantes. A Cracolândia de São Paulo era uma das poucas, se não era a única, regiões do estado sob o domínio efetivo do tráfico. No Rio, sabemos, falta ainda “pacificar” a esmagadora maioria das favelas.
A RESPOSTA
A resposta é uma só: PARTIDARISMO. No Rio, Sérgio Cabral governa com o apoio dos petistas. Mais: a cidade tem pela frente a Copa do Mundo e a Olimpíada. É preciso oferecer à opinião pública uma resposta, e as ONGs, os “intelectuais” e a imprensa decidiram colaborar. Em São Paulo, esses mesmos setores são franjas do petismo e já estão engajados, ainda que de maneira oblíqua, na campanha de Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura da Capital.
Aí se parte para o vale-tudo. Em reportagem do Estadão de hoje, fala-se em “procissão do crack”, com aspas. Essas aspas não reproduzem a fala de alguém, não indicam uma citação. Trata-se de uma imagem criada pela reportagem, que também recorre à palavra “peregrinação”. São as famosas aspas que, no discurso oral, os falantes costumam marcar com os indicadores, lembrando que o sentido da palavra não é bem aquele. Na campanha contra a ação da Prefeitura e do Estadao, vale usar a reportagem como metáfora.
Na região, lembra o texto, o “artista plástico” Zerella Neto chegou a instalar a imagem de uma “Nossa Senhora do Crack”. É verdade! Os próprios usuários consideraram um desrespeito à santa e a quebraram, mas o padre Julio Lancelloti, aquele…, gostou: “Eu acho que, agora quebrada, ela ficou mais parecida com o povo que está aqui”. É que ele “trabalha” com os moradores de rua, sabem? Lancelotti é o autor original da tese de que qualquer intervenção do poder público na região — desde que não seja executada pelo partido de sua preferência, o PT — é coisa de “higienistas”.
Como se nota, recorre-se a metáforas de cunho religioso, transformando os viciados em deserdados da terra que herdarão o Reino de Deus.  Por enquanto, eles seriam intocáveis. Pelo menos até a eventual chegada do PT ao poder em São Paulo. O tal Dartiu, em certo sentido, tem razão. Trata-se mesmo de uma questão político-eleitoral. Os zumbis do crack são hoje massa de manobra de politiqueiros. A mim interessa saber: o que diz a lei? Aplique-se a lei. Ponto!
Por Reinaldo Azevedo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".